E aqui vou eu escrever sobre filhos de novo. Como disse uma amiga, antes eu tinha fotos de viagens, comidas, festas e amigos. Agora nos meus albuns so tem fotos da Gabriela. Mas a realidade e’ esta e se antes eu viajava e ia a festas, agora eu quero mesmo e’ registrar cada momento com minha filhota. Como diz minha mae, consolando-me quando eu reclamo de alguma coisa (e olha que e’ bem frequente) “cresce tao rapido. ja ja voce tera sua vida de volta”. E crescem mesmo. Hoje de manha, quando eu e o Tim pegamos a Gabriela no berco e ela toda esperta, querendo brincar com cada detalhe da decoracao do quarto dela (coisas que antes ela nem notava), me deu um apertinho no coracao de ver como ela estava grande e diferente. Num instante ela mudou tanto.
Ai ontem, conversando com uma amiga que esta’ se separando do marido e sempre foi decidida a nao ter filhos, falei que de repente ela ate mudaria de ideia se encontrasse alguem que quisesse muuuito ser pai. Nao que eu seja daquelas que insistem pras pessoas terem filhos, so porque eu tive. Pelo contrario, acho que agora eu ate respeito mais a decisao dela. Pra ter um filho voce tem que ser meio louco, meio corajoso, meio desprendido. Ou entao so meio descuidado mesmo. E esta minha amiga e’ tudo isso junto e mais um pouco, so’ que de acordo com ela, uma gravidez iria acabar com o corpo dela, ela iria despencar e ficar cheia de estrias. Ai eu expliquei que ate conceito de beleza muda depois que voce vira mae. Claro que voce quer se cuidar e ficar bonita. Mas estria e um pouquinho de flacidez viram coisas tao bobinhas perto de todo o resto. “Karla, pra eu ter um filho entao so se voce for minha barriga de alguel” ela disse. E como ultimo argumento falei que se eu fosse carregar o bebe pra ela, ela nunca saberia o que e’ ter aquela coisinha mexendo dentro da barriga. E ela sem pestanejar: “eu sei bem como e’, eu tenho gases o tempo todo”.
A verdade e’ que antes de ter a Gabriela eu tambem pensava no tanto de coisas que eu teria que abrir mao na vida, e nao estou falando so de ter um corpo firminho. Mas e’ engracado ver como nossas prioridades mudam e a gente comeca a nao se importar se nao podemos ir ‘aquele evento ou se temos que acordar todos os dias antes das 7 da manha. Lembro bem que no ultimo reveillon nos estavamos na casa de um casal de amigos e tivemos que deixar a festa as 11:30 da noite porque a Gabriela nao queria dormir no carrinho e foi ficando super chata. Claro que o pessoal ficou revoltado pelo fato da gente ir embora antes da virada. E claro que os casais que nao tinham esta “responsabilidade” devem ter ficado com muita do’ da gente. (Gente, eu sempre fiquei com muita pena dos pais que tem que ir embora cedo dos lugares por causa dos filhos. Sempre, sempre. Morria de do’ da minha irma, do meu irmao. Coitados, nao podem nem aproveitar, eu pensava. Nao podem nem estar onde querem. Nao sao mais donos do tempo deles!).
E ai naquela noite, ja em casa, eu colocando a Gabriela pra dormir, escuto o Tim sussurrando la do nosso quarto: feliz ano novo! E eu com um sentimento de muita gratidao pelo ano que estava comecando, dei um beijinho na minha filha, coloquei ela no berco e voltei pro meu quarto pensando que nao existia um outro lugar no mundo que eu preferiria estar naquele momento. Ter filhos ‘e assim mesmo. Crescem tao rapido e a gente tem que ficar atento pra nao perder a melhor parte da festa.