Voo da Tap Portugal (Lisboa – BH)
Entro no aviao e peço educadamente licença a mulher que esta sentada a minha poltrona vizinha. Ela levanta-se, carrancuda, sem nem olhar pra mim. Eu agradeço, ela nao responde. Penso: raio de portuguesa mal-humorada. Uma, duas, tres horas sem trocar uma palavra comigo. Tedio, num voo de 10 horas durante o dia. Puxo assunto, ela responde so com a cabeca, ainda sem me encarar. Tudo bem, ela tem bigode. Usa roupas de 1952. Sapato bico quadrado, sola quadrada, baixinho. Colete estampado das dançarinas de fado, bem antigamente. Cabelo igual ao do beiçola da Grande Familia.
Na chegada ao Brasil a aeromoca avisa: quem nao for brasileiro tem que preencher o formulario da imigraçao. A portuguesa nao levanta a mao. Era brasileira.
Maria Clara – claro.
- Olha Maria Clara, a formiguinha! O que ela esta carregando? Eh um bolinho?!!
(Maria Clara avança na formiguinha para tomar o pedacinho de bolo do pobre inseto)
Maria Clara chega no clube com um vestido branco estilo Yemanja e um colar da minha mae, que pra ela bate ate o joelho, e ela nao deixa mais tirar.
- Maria Clara, voce esta igual uma baianinha com este colar da vovo.
- bananinha?
Maria Clara ve um besouro no chao:
- pisou! Pisou!
- Nao Maria Clara, o besouro eh amigo.
Ela agaixa e olha pro inseto: oooooi.
Maria Clara na sorveteria:
- gelado, gelado, gelado, que que que!
(E come um pote de açai).
No dia seguinte ve um pote de feijao preto em cima da mesa: gelado, gelado, gelado, que que que!